Empate de Gigantes Fecha Época de Luxo de Moacs e Sociedade Real
Duelo de titãs a contar para a última jornada da Liga D2, colocando frente a frente o segundo e o terceiro classificados do campeonato. Apesar de as contas do topo já estarem matematicamente arrumadas, os Moacs entravam em campo feridos no orgulho após uma sequência de jogos menos conseguidos, enquanto os espanhóis da Sociedade Real procuravam fechar o ano a vencer, deixando para trás o amargo empate registado na ronda anterior.
O encontro começou com os níveis de intensidade bem altos, típicos de duas equipas que habitam o topo da tabela. A formação espanhola foi a primeira a alvejar a baliza adversária através de uma bola parada, com José Lima a cobrar um livre direto muito perigoso que passou a rasar as redes dos Moacs. A resposta da equipa do segundo lugar não tardou e surgiu pelos pés de Bernardo Castanheira, que tentou a sua sorte através de um disparo de longa distância, mas o esférico acabou por não levar a direção desejada. Contudo, o momento da noite estava reservado para o lance seguinte, numa obra de arte com assinatura espanhola. Com uma sagacidade tremenda no passe, Luís Fernandes descobriu José Lima nas costas da linha defensiva dos Moacs; com uma frieza de classe mundial, o avançado tirou o defesa do caminho com uma simulação estonteante e, perante a saída do guardião, desferiu um chapéu perfeito sobre Christos Kapkas (estrangeiro). A bola entrou caprichosamente para o fundo das redes, assinando um monumental 1-0 com que se chegou ao descanso.
No reatamento, os Moacs subiram as linhas e assumiram por completo as despesas do jogo em busca do prejuízo. Mário Fonseca investiu com tremenda agressividade pelo flanco direito e tirou um cruzamento medido para a área, onde João Rodrigues subiu mais alto que a concorrência, mas o cabeceamento saiu ligeiramente ao lado da barra. A pressão continuava sufocante e, pouco depois, foi Ricardo Correia a encher o pé para uma intervenção segura do guardião da Sociedade Real. Pelo meio, os espanhóis tentavam ferir em contra-ataque e o endiabrado José Lima voltou a espalhar o pânico: "bailou" de forma artística perante os defesas dentro da área e rematou forte, valendo aos Moacs uma defesa instintiva e de grande nível por parte de Rúben Furtado para evitar o segundo. Como diz o ditado futebolístico que quem não marca sofre, e a justiça no marcador acabou mesmo por chegar para os Moacs na sequência de um lance de bola parada. Ricardo Correia cobrou um pontapé de canto de forma exímia para o coração da área, ali apareceu Tomás Henriques a subir com autoridade ao primeiro andar, cabeceando com potência para estoirar com as redes espanholas e restabelecer o empate em 1-1. Até ao apito final, os Moacs demonstraram estar determinados a consumar a reviravolta completa e a arrecadar os três pontos. Já perto do fim, Miguel Lopes encontrou espaço à entrada da área e disparou um remate com selo de golo, obrigando o guardião helénico Christos Kapkas (estrangeiro) a assinar mais uma bela intervenção da tarde, segurando o resultado tangencial.
Com este empate 1-1 a fechar as cortinas do campeonato, os Moacs quebram o ciclo de exibições menos conseguidas e seguram com mérito o honroso segundo lugar da tabela classificativa. Por sua vez, a Sociedade Real assina mais uma réplica de enorme qualidade e despede-se da competição num muito positivo terceiro lugar, confirmando que ambas as equipas praticaram um futebol de nível superior ao longo de toda a época na Liga D2.
por Vicente Serrano