Tomás Jorge Redime-se e Chutos e Pontapés Entram com o Pé Direito na Prova Rainha
Duelo de titãs da Liga B a marcar a jornada inaugural da prestigiada prova rainha. De um lado, os espanhóis do Real Betos subiam ao relvado com os índices de confiança no topo, após uma vitória moralizadora frente aos poderosos Sempudor na última ronda do campeonato. Do outro lado, os dinâmicos rapazes dos Chutos e Pontapés também vinham de um triunfo e entravam em campo determinados a prolongar o excelente momento de forma.
O encontro começou com uma intensidade frenética e com o golo a surgir logo nos instantes iniciais, fruto do infortúnio. Numa tentativa de atrasar o esférico, Tomás Jorge acabou por descalibrar o passe e enviou a bola diretamente para a própria baliza, traindo o guardião Francisco Gomes e oferecendo o 1-0 à formação espanhola. Contudo, a noite era de redenção para o craque dos Chutos e Pontapés. Pouco tempo depois do erro crasso, Tomás Jorge apareceu solto na ala esquerda, desfez-se da marcação e desferiu um remate cruzado com muita convicção para estufar as redes espanholas, restabelecendo o empate (1-1). O golo do empate galvanizou por completo os Chutos e Pontapés que, num ápice, consumaram a reviravolta através de uma jogada coletiva sublime. Num desenho ofensivo vistoso e tricotado de pé para pé, Sebastião Leal tirou um cruzamento com conta, peso e medida para o coração da área; ali morava o oportuno Salvador Severino, que disparou sem preparação para fazer balançar as redes e assinar o 2-1 antes do descanso.
No reatamento, os "sevilhanos" do Real Betos surgiram transfigurados e balancearam-se para o ataque em busca da igualdade. Duarte Berberan deu o primeiro aviso num remate forte que Francisco Gomes defendeu para a frente, na recarga, com tudo para faturar, Hugo Rodrigues acabou por falhar de forma escandalosa. A pressão espanhola intensificava-se e, pouco depois, foi Tomás Caldeira a testar os reflexos de Francisco Gomes, que assinou uma intervenção de belo efeito para segurar a vantagem tangencial. Apesar do sufoco dos andaluzes, a oportunidade mais soberana da segunda parte pertenceria mesmo aos Chutos e Pontapés através do laboratório das bolas paradas. Numa cobrança de um pontapé de canto teleguiado, a bola viajou com precisão para a cabeça de Manuel Silva, que desferiu um golpe fulminante, valendo ao Real Betos uma defesa monumental de Ricardo Mocho a evitar o terceiro da noite. Até ao apito final, os Chutos e Pontapés fecharam-se com enorme coesão e seguraram o resultado.
Com esta vitória suada por 2-1, dos Chutos e Pontapés iniciam a sua aventura na prova rainha com o pé direito e carimbam a passagem à fase seguinte. Em sentido inverso, o Real Betos despede-se precocemente da competição apesar da boa exibição, ficando o aviso de que a turma espanhola precisará de aumentar os índices de eficácia se quiser ser feliz nas frentes que restam na Taça Allstars.
por Vicente Serrano