Simão Moita conduz Laranja Mecânica num jogo de loucos frente aos Black Devils
No último jogo da noite no Inatel, Laranja Mecânica e Black Devils protagonizaram uma partida completamente aberta, intensa e cheia de golos, daquelas que nunca permitem dar o resultado por fechado. A formação laranja acabou por vencer por 6-4, mas teve de sofrer bastante para segurar os pontos, sobretudo depois da excelente reação dos Black Devils, que chegaram mesmo a recuperar de uma desvantagem pesada e empatar a partida. No fim, a diferença esteve na inspiração de Simão Moita, que assinou cinco golos e foi a grande figura da noite.
A partida começou logo com a Laranja Mecânica a mostrar que queria assumir o controlo do jogo. A equipa entrou mais agressiva, mais objetiva e a tentar chegar rapidamente à baliza adversária. Essa entrada forte acabou por dar frutos cedo, com Nuno Nunes a inaugurar o marcador e a colocar a formação laranja em vantagem no primeiro momento de verdadeiro perigo. Os Black Devils sentiram esse impacto inicial, mas tentaram reagir apostando muito na profundidade e na procura de espaços para Francisco Bargas, que ia tentando esticar o jogo e dar largura ao ataque da sua equipa. Ainda assim, quem voltou a marcar foi novamente a Laranja Mecânica. Simão Moita, já muito ativo nos primeiros minutos, apareceu com eficácia para fazer o segundo da sua equipa e começar a desenhar aquilo que viria a ser uma noite memorável no plano individual. A equipa inglesa ainda tentou responder, com Jaime Marques a procurar assumir algum protagonismo ofensivo e a liderar algumas saídas dos Black Devils, mas sem sucesso na finalização. Do outro lado, Simão continuava imparável e voltou a aparecer no momento certo para fazer o terceiro golo da Laranja Mecânica, bisando na partida e aumentando ainda mais a vantagem. Mesmo em desvantagem, os Black Devils não desistiram do jogo. A equipa manteve-se competitiva, continuou a atacar e acabou por ser premiada. Depois de uma boa sequência ofensiva, João Delfim conseguiu reduzir e devolver alguma esperança à sua equipa. Esse golo foi importante porque travou o ímpeto da Laranja Mecânica e trouxe outra energia ao encontro. Só que a resposta da equipa laranja foi imediata. Simão Moita voltou a aparecer, desta vez para completar o hat-trick e fazer o 4-1. Nessa fase, parecia que a partida estava praticamente resolvida, até porque a Laranja Mecânica mostrava maior eficácia e estava a conseguir aproveitar muito melhor os seus momentos de superioridade ofensiva. Ainda assim, os Black Devils tiveram mérito enorme na forma como reagiram. Antes do intervalo, Diogo Serrano conseguiu marcar e reduzir para 4-2, mantendo a equipa viva no encontro. Esse golo acabou por ser muito importante para o que viria a acontecer na segunda parte, porque deixou os Black Devils emocionalmente dentro do jogo.
No regresso dos balneários, os Black Devils entraram com clara intenção de mudar a história da partida. Jaime Marques teve um remate perigoso logo nos primeiros minutos, mas a bola saiu por cima da baliza. Pouco depois, Henrique Fernandes, guarda-redes dos Black Devils, também apareceu em bom nível com uma dupla defesa importante, impedindo que a Laranja Mecânica voltasse a fugir no marcador e dando mais confiança à sua equipa. A formação inglesa cresceu claramente no jogo e voltou a aproximar-se no resultado quando Francisco Bargas apareceu para fazer o terceiro golo dos Black Devils. A partir daí, a partida ficou completamente relançada. A Laranja Mecânica começou a sentir mais dificuldades para controlar o ritmo e os Black Devils passaram a acreditar seriamente na recuperação. Essa recuperação acabou mesmo por acontecer. Num dos momentos mais fortes do encontro, Diogo Serrano voltou a aparecer e fez o 4-4, completando a reação da sua equipa e empatando uma partida que parecia perdida. Foi a fase mais delicada da Laranja Mecânica, que viu uma vantagem confortável desaparecer perante a insistência adversária. Mas quando o jogo parecia inclinar-se emocionalmente para os Black Devils, voltou a surgir o nome da noite. Simão Moita apareceu de novo para marcar o seu quarto golo na partida e recolocar a Laranja Mecânica em vantagem, no momento em que a equipa mais precisava de alguém que a segurasse. Esse golo foi decisivo porque travou a recuperação adversária e devolveu estabilidade à formação laranja. Mesmo depois disso, os Black Devils continuaram a tentar. Francisco Bargas ainda procurou surpreender com uma bicicleta, num lance vistoso e ambicioso, mas sem sucesso. A equipa arriscou, tentou empurrar a Laranja Mecânica para trás e ainda acreditou no empate, mas acabou por voltar a sofrer. Já na reta final, Simão Moita voltou a fazer estragos e fechou a sua exibição de luxo com mais um golo, assinando o 6-4 final e completando uma mão cheia de golos. Foi o desfecho perfeito para uma noite absolutamente incrível do avançado da Laranja Mecânica.
No final, o resultado premiou a eficácia ofensiva da formação laranja, mas os Black Devils merecem crédito pela reação que tiveram depois de estarem a perder por larga margem. Conseguiram empatar, mostraram personalidade e venderam cara a derrota. Ainda assim, a diferença esteve na frieza da Laranja Mecânica nos momentos decisivos e, acima de tudo, na enorme exibição de Simão Moita.
por Vasco Côrte-Real