Real Família arrasa na luta pela sobrevivência e condena Real Intensidad à descida
Jogo de tudo ou nada na Liga C2 colocava frente a frente duas equipas presas à linha de água. O Real Intensidad chegava com treze pontos, os mesmos do penúltimo classificado, mas com vantagem no confronto direto, sabendo que uma vitória garantia automaticamente a permanência. Do outro lado surgia o Real Família, último classificado com doze pontos, obrigado a vencer para empurrar o adversário para a descida, mas ainda dependente do resultado do outro jogo para saber se conseguiria salvar se. O cenário era de máxima tensão e não havia margem para erro.
A primeira parte começou de forma perfeita para o Real Família, que entrou com uma intensidade altíssima e uma clareza total no plano de jogo. Logo nos minutos iniciais, Miguel Fonseca começou a assumir o papel de desequilibrador, trabalhando muito bem pela ala esquerda e obrigando a defesa da casa a recuar constantemente. Numa dessas investidas, acabou por conquistar uma grande penalidade, colocando desde cedo enorme pressão sobre o Real Intensidad. Na marcação do castigo máximo, Telmo Ramos foi frio, calculista e não perdoou, fazendo o 0-1! O golo deixou a equipa da casa visivelmente abalada, e o Real Família sentiu que o jogo estava exatamente onde queria. Pouco depois voltou a golpear, novamente com Miguel Fonseca a fazer a diferença, desta vez com uma assistência precisa para Tomé Nunes, que surgiu em excelente posição e finalizou com qualidade para o 0-2! A formação visitante mostrava uma eficácia brutal, transformando quase cada chegada à área em ocasião de golo. O Real Intensidad tentava reagir, mas sentia enormes dificuldades em travar a mobilidade ofensiva do adversário. Já perto do intervalo, o Real Família voltou a ferir de forma decisiva. João Caetano apareceu isolado nas costas da defesa, rematou para uma boa defesa de Tomás Costa (estrangeiro), mas mostrou faro de golo ao surgir na recarga e fazer o 0-3! Um resultado pesado ao intervalo, que refletia a superioridade clara da equipa visitante e deixava o Real Intensidad numa situação praticamente irreversível.
A segunda parte começou com uma tentativa de reação da formação da casa, que entrou com mais agressividade e tentou mudar o rumo dos acontecimentos. Logo a abrir, Francisco Faro (estrangeiro) protagonizou uma excelente jogada individual, passou por dois adversários com classe e disparou um míssil para o fundo das redes, reduzindo para 1-3! O golo trouxe algum ânimo às bancadas e parecia reabrir a discussão, mas essa esperança durou muito pouco. O Real Família respondeu de forma imediata e demolidora, mostrando enorme maturidade emocional. Tomé Nunes pegou na bola ainda no seu meio campo, acelerou pela direita, ganhou espaço e rematou com potência e precisão para fazer o 1-4! O jogo voltou a cair completamente para o lado visitante, que não tirava o pé do acelerador. Pouco depois, nova jogada coletiva de grande qualidade, com Telmo Ramos a combinar com Miguel Fonseca, que recebeu à entrada da área e disparou de fora para um belo golo, estava feito o 1-5! O Real Família jogava com confiança total e continuava a criar perigo a cada ataque. Sempre muito ativo, Miguel Fonseca ainda esteve perto de bisar, quando trabalhou bem dentro da área e rematou de pé esquerdo com a bola a bater em cheio na barra. O massacre ofensivo não parava e, já perto do final, João Branco arrancou pela direita, cruzou de forma perfeita e encontrou Telmo Ramos na pequena área, que cabeceou com força para o fundo das redes, fazendo o 1-6! Um resultado pesado que espelhava a diferença de atitude e eficácia entre as duas equipas.
No final, vitória clara e tranquila do Real Família, que fez tudo o que lhe competia e fica agora à espera do resultado do outro encontro para saber se garante ou não a permanência na Liga C2. Para o Real Intensidad, esta derrota confirma a descida de divisão, num jogo em que nunca conseguiu travar a avalanche ofensiva do adversário. Uma tarde cruel para uns e de esperança adiada para outros numa Liga C2 decidida nos limites.
Por Miguel Henriques
por Pedro Chantre